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5º Poetry Slam Sul

No passado dia 12 de Outubro realizou-se o 5º Poetry Slam Sul, no Espaço Cine-Incrível. Com a presença de convidados especiais como José Anjos e Bjoy, ainda houve espaço para um Skype-Slam!!!

Os 8 fantásticos da noite foram Bruno Dias, Fábio Costa, José Anjos, José Candeias, Miguel Coelho, Patrícia Silva, Sérgio Carvalho e Vítor Malvas. Muito obrigado pela vossa participação e obrigado a todos os amigos, conhecidos, seguidores, visitantes, “habitués”, curiosos, e pessoas de palavras prontas a explodir. O próximo é já dia 9 de Novembro! E tu, Slammas?

O vencedor do 5º Poetry Slam Sul foi:

1º Lugar – Vítor Malvas

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Fotos © Sandra Ramos

No seguimento do 5º Poetry Slam Sul, partilhamos o resultado da nossa actividade da noite, o “Slam Surpresa” (chamemos-lhe assim, por enquanto!)

O convidado da noite foi José Anjos, e o objectivo era construir um Slam a partir das palavras escolhidas por cada mesa do espaço Cine Incrível.

Ora, contamos aqui como tudo aconteceu….

PALAVRAS:

Leite com açúcar; Mocho; Frigorífico (ou combinado); Barbatana; Tesão; Revolução; Espermatozóide; Pateta; Austeridade; Paradoxo; Anticonstitucionalidade; Destruição; Revolução/liberdade

RESULTADO

“Cheguei tarde, nesse dia, à cidade. Já era de noite.

No canto da sombra vi um mocho que me cantou, em sussurro, ao ouvido:

“- Quem és tu, pateta?”

Dei um salto. Estaria doido? Estaria a sonhar?

Belisquei-me com força para tentar acordar e respondi-lhe como sei, num linguajar de Platão a filosofar, como um novelo de palavras a desfiar:

“- Um mocho a cantar?! Vou-te dizer quem sou. O meu nome é Herberto Hermano e sou um vampiro, campista e vegetariano.”

O mocho estremeceu, estridulou enfunado e sacolejou a gritar:

“- Um vampiro vegetariano?! Esse é um paradoxo aparente que eu não consigo aceitar!”

E caiu para o lado, torto de choque, entortado, torturado pela mente. E morreu à minha frente.

Continuei a andar. Não reconhecia as ruas por onde passava, apesar de algo me parecer familiar.

Depressa percebi, num assomo de ansiedade, que estava noutra realidade. A partir daí, nada me estranhou.

Mais à frente, passei por um frigorífico de barbatanas que me interpelou, sem justificação, com uma gravação doméstica sobre a revolução.

Ao que parecia, tinha sido essa a razão do choque térmico que me tinha feito viajar pela via láctea, mais depressa do que a velocidade da luz, até outra dimensão, como um espermatozoide desorientado, arrependido por ter sido enganado.

O dono do universo tinha-se masturbado, tinha-me usado como um objecto e atirado para o tampo vítreo de um pequeno planeta, tipo urano ou plutão.

Ainda tentei interromper o frigorífico:

“- Eu sou apenas um vampiro de outra realidade, vegetariano e campista, não pertenço a esta cidade!”

Mas de nada serviu. E na gravação que prosseguiu, o frigorífico gritou:

“- Filhos da revolução!

Acordem desse torpor e abordem o poder!

Acordem o poder dentro do peito que emerge da vossa gabardina coçada e vetusta.

Abram a gabardina……mostrem a vossa virtude, o vosso bastão! Atirem-se a eles com vespertina e tesão!

Vamos queimar a cidade com um só fósforo, fazer desta edilidade as cinzas da destruição.

Para delas poder nascer a nova revolução. Está na tua mão. Basta juntar água e vontade e

ZÁS TRÁS PÁS!

….saem duas ou três gramas de liberdade!”

O gravador calou-se subitamente.

Um polícia fardado de astronauta sem cauda apareceu sem prévia notificação.

Do silêncio saíram apenas duas palavras e um vozeirão:

“- O que é que se passa aqui? O que faz o senhor com este frigorífico, terrífico, conhecido sobejamente, lá na esquadra, como um intrépido insurgente!

Vou ter de o autuar por violação da provisão legal número 666, que faz cominar a conspiração com aparelhos domésticos de última geração como uma anticonstitucionalidade muito grave, punível com uma só penalidade: a morte, por perda de frigorias. Queimado no barrote!”

Assustado, respondi:

“- Oh, senhor agente de austeridade, Está enganado! Eu não sou bandido nem quero ser castigado. Não conspirava com este frigorífico nem estou com ele combinado! Estava só aqui a procurar….”

Abri a porta do frigorífico e tirei um pacote.

“- Cá está! Já encontrei. Não me bata nem me açoite! Quer ver? Quer cheirar?

É só um pacote de leite……. com açúcar.”

JOSÉ ANJOS

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