E a residência artística da Pantalassa em São Tomé chegou ao fim. De 23 a 28 de Fevereiro, o projecto ‘Portugal Contemporâneo Com São Tomé e Príncipe’ limou arestas, encerrou actividades, apresentou resultados, honrou momentos, celebrou pessoas e entidades e projectou regressos.
Uma vez mais em jeito de relato diário e, não obstante, em contagem decrescente, as acções da última semana prosseguiram com o mesmo ritmo efusivo das anteriores.
Na segunda-feira (25), Franklin Soares e Mariana Marques fecharam a oficina ‘Folia de Reis’ na Escola Preparatória Patrice Lumumba, num desfile pela escola com quarenta crianças e jovens munidos dos instrumentos reciclados produzidos nas cinco sessões realizadas nesse estabelecimento de ensino.
À mesma hora, mas na CACAU, Joana Guerra e Tapete ensaiavam para o concerto na Casa da Cultura de São Tomé, marcado para as 18h, em substituição do concerto previsto para o passado dia 19 de Fevereiro no Cineteatro Marcelo da Veiga. Em mais um fim de tarde quente, os artistas protagonizaram o seu penúltimo concerto, desta feita em versão ensemble e acompanhados de artistas locais, num local não previsto no programa.
Às 7h da manhã de uma terça-feira chuvosa, o desfile final da oficina ‘Folia de Reis’ no Liceu Nacional não se realizou. Em alternativa, os alunos envolveram-se numa conversa em redor do objectivo essencial da oficina – o trabalho em equipa aliado ao empreendedorismo como instrumento(s) de mudança. Na CACAU, pelas 10h, o ensaio aberto de Joana Guerra e Tapete servia de música de fundo para a edição final do material produzido na oficina de Áudio-Livros por Jorge Nunes e os sete fiéis seguidores da acção.
Às 18h30, um Centro Cultural Português esgotado foi o palco do ‘Slam São Tomé’, evento representativo do final das oficinas de Poesia – ‘Slam São Tomé’ conduzidas por Raquel Lima e protagonizado por 22 alunos do Instituto Diocesano de Formação, 26 alunos do Liceu Nacional e 16 alunos do Instituto Superior Politécnico. Em formato concurso, o evento foi marcado pela dedicação dos poetas e pelo entusiasmo do público, representado pela Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe, professores, pais, amigos e curiosos, com mais uma cobertura da TVS. De notar que, no sábado anterior (23), Raquel Lima acedeu ao convite da Prof.ª Sandra Beirão em participar do programa da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe dedicado à Língua Portuguesa ‘Palavras Cruzadas’, permitindo divulgar a ocasião a ter lugar e, ao mesmo tempo, contextualizar toda a actividade entretanto desenvolvida no âmbito da Oficina.
A quarta-feira (27) fez jus ao carácter especial que sugeria ter desde a semana anterior, e não só por constituir o dia das apresentações finais de todas as actividades e concertos. Às 9h, o mentor da CACAU João Carlos Silva dialogou com toda a equipa da Pantalassa, juntando ambas as partes em tom de avaliação da residência. Acentuadas as prestações positivas de uns e outros, os dados foram lançados na perspectiva de um regresso, mais ou menos previsto no tempo, para firmar a criação de redes de ideias, práticas e países que poderá efectivar-se após o bem-sucedido primeiro encontro entre as duas associações e demais intervenientes no processo.
Em seguida, Franklin Soares e Raquel Lima fizeram o balanço final da residência no programa ‘Visor das 10’ da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, nosso primeiro parceiro de comunicação no terreno. Ao mesmo tempo, Joana Guerra e Tapete davam os retoques finais nos alinhamentos naquele que foi o seu último ensaio aberto na CACAU, antecipando os derradeiros concertos da noite que se aproximava.
Num esforço conjunto, pelas 16h, a Pantalassa conseguiu reunir, ainda, com o Embaixador do Brasil em São Tomé e Príncipe. O encontro entre o diplomata e dois dos fundadores da Pantalassa, incluindo o seu representante brasileiro, demonstrou-se prolífico, baseado num clima ameno de predisposição para colaborações futuras entre Portugal, Brasil e São Tomé e Príncipe.
Pelas 17h, teve, então, início, na CACAU, a mostra representativa dos trabalhos desenvolvidos durante a residência artística em São Tomé. Com a cobertura da RTP África, os produtos das oficinas, workshops, ateliers e ensaios abertos estiveram expostos ao muito público que fez questão de testemunhar, até à madrugada do dia seguinte, o impacto gerado pela Pantalassa em São Tomé, durante 21 dias, em dez espaços da cidade.
A abrir as hostilidades, a jam-session resultante das oficinas de música improvisada e ‘Folia de Reis’ agitou o palco da CACAU, contando com a participação de João Carlos Silva e de outros membros da CACAU, crianças, elementos da Pantalassa não directamente relacionados com a actividade e dinamizadores do Palco Aberto.
Ao lado do palco, Jorge Nunes expunha, ao público em geral, os dois áudio-livros produzidos pelos alunos do 12º ano de Artes do Liceu Nacional durante as oficinas, coroados de opiniões positivas.
Em noite de Palco Aberto, foram muitas as presenças que acompanharam Joana Guerra e Tapete. Seguindo o bom exemplo do concerto na Casa da Cultura, os dois núcleos de artistas tocaram em conjunto, intercalando temas e abrindo espaço para a intervenção de bandas e artistas locais. De referir que a residência de Joana Guerra e Tapete em São Tomé possibilitou a concepção de novos temas que enriqueceram os seus repertórios a partir do intercâmbio cultural subjacente a toda a iniciativa. Joana Guerra compôs três temas novos e os Tapete conceberam ‘Cobra Preta’, composição alusiva à temível cobra que habita nas terras mais inacessíveis da ilha e que constitui um dos maiores símbolos do seu imaginário popular.
O cenário de palco, concebido durante o atelier de artes plásticas de Mariana Marques, acolheu, também, o jovem vencedor do ‘Slam São Tomé’ do dia anterior, Cebola MC, devidamente acompanhado pelos percussionistas da Pantalassa. Yannick Delass, o músico congolês em cujo lançamento de álbum participaram os Tapete, surgiu acompanhado desta formação para mais um grande instante. Tempo ainda para a participação dos ‘Amigos da Cultura’, banda de música tradicional santomense, prévia à actuação dos músicos fundadores do Palco Aberto em mais uma fusão com a Pantalassa.
Oportunidade, ainda, para assistir aos discursos emocionados da Pantalassa, compostos pelas expectáveis despedidas, agradecimentos da praxe e promessas de volta para breve.
Na véspera do regresso a Lisboa, Mariana Marques dinamizou, ainda, mais um atelier de Artes Plásticas na Escola Básica D. Maria de Jesus, distribuindo o material restante das acções pelos alunos de uma das escolas que apresenta maiores dificuldades de manutenção, povoada por um universo de 52 turmas de crianças e adolescentes dos 6 aos 14 anos.
O dia de quinta-feira terminou sob um luar luminoso, após um saboroso jantar oferecido pela CACAU e, mais uma vez, sob as pautas das despedidas, agradecimentos e ideias projectadas num regresso que se espera para breve.
O nosso muito obrigado à Direcção Geral das Artes do Governo Português,
à CACAU (João Carlos Silva, Isaura Carvalho, Alice Viegas, Eduardo Malé, Tita e demais equipa),
à Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe (Sra. Embaixadora, Dra. Márcia Almeida, Dra. Catarina Duarte, Isabel Cruz, Sr. Tomé e Bairro da Cooperação Portuguesa),
à Embaixada do Brasil em São Tomé e Príncipe (Sr. Embaixador, Leila Quaresma, Leila e Miller),
aos Directores e Professores da Escola Preparatória Patrice Lumumba, Instituto Diocesano de Formação, Liceu Nacional, Instituto Superior Politécnico, Escola Primária Portuguesa e Escola Básica D. Maria de Jesus,
à Casa da Cultura,
aos Professores Cooperantes Sandra Meia-Onça, Sandra Beirão, Madalena Cardoso, Maria Mendes, Victor Silva, Marta Gomes e António Coelho,
à Escola + e seus motoristas,
ao Dr. Edgar das Neves (Projecto Saúde para Todos – Instituto Marquês de Valle Flôr),
ao Dr. Silvestre Leite (Presidente do Supremo Tribunal de Justiça de São Tomé, pela cedência de instrumentos),
aos artistas locais FBI, Yannick Delass, slammers e músicos de Palco Aberto,
ao Miguel Ribeiro,
à TVS, RTP África e Suahills Dende da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe,
aos media locais online (STP Digital, Téla-Nón, Jornal Bagatela)
ao Délson Santos e a todos os participantes directos e indirectos no projecto.
Para finalizar, um especial agradecimento a toda a Pantalassa que, com toda a cumplicidade, dentro e fora da equipa, fez com que todas as expectativas fossem superadas e accionou o motor para projectos futuros com o mesmo grupo de trabalho.
Até breve,
Um forte abraço,
ACPantalassa
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